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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Minha história

 

Postura por meio da arte

Desenvolver a cidadania e a postura por meio da arte da capoeira é o que realiza Ibirá Müller.

 

Ibirá também fabrica todos os instrumentos necessários para a prática da capoeira.
Ibirá também fabrica todos os instrumentos necessários para a prática da capoeira.

Nascido na cidade vizinha de Santo Ângelo, Ibirá Müller, reside e trabalha em Santa Rosa há 12 anos. Ibirá conta que já morou em vários lugares como Bahia e Minas Gerais, que contribuíram muito para o fortalecimento de raiz da capoeira.
Ibirá, que hoje tem 44 anos e é formado em Educação Física, conta que aos vinte anos na primeira viagem a Minas teve seu primeiro contato físico, literalmente falando, com a capoeira, que até então só conhecia de ouvir falar, ler em revistas especializadas e pela TV. “Nessa época, em 1992, eu morava em São Borja, onde dava aulas de aeróbica e dança, em uma academia de ginástica, e uma das alunas era da Bahia, eu ensinava axé e ela me mostrou a capoeira. Eu era concursado dos Correios por seis anos e larguei tudo para correr atrás do meu sonho”. Sua mãe, que na época não entendeu a atitude de largar a tão desejada estabilidade e arriscar tudo no que realmente lhe dava prazer, hoje sente muito orgulho dele.
Ao largar o emprego nos Correios, Ibirá foi para a Bahia e Minas Gerais trabalhar em academias e estudar capoeira. Ficou por lá durante sete anos, mas teve que voltar por que sua mãe começou a ter problemas de saúde e ele começou a sentir muita saudade da terrinha também. Foi o que o levou a voltar à Santa Rosa.

Desafio
Ele lembra que, na época, estava desempregado, mas com muita vontade de trabalhar. “Fui até o SESC, isso em 1998, pelo fato de ter amigos e ex-colegas de faculdade. Um deles, o ‘Fumaça’, que dava aulas de ginástica na academia do SESC me convidou para substituí-lo em suas férias, fiquei dando aulas de aeróbica por trinta dias, e sempre no final das aulas eu treinava capoeira, já que tinha espaço disponível. Na ocasião, a Coordenadora do SESC Eunice Arsand, ouviu aquela música diferente e então disse que há muito tempo queria colocar aulas de capoeira no SESC e eu respondi que precisava falar com o meu Mestre, apesar de eu já poder atuar como professor, me senti na obrigação de pedir a opinião dele. A resposta, claro, foi positiva”, lembra ele.
Assim, teve início o primeiro grupo de capoeira em Santa Rosa, em 1998. “Permaneci como professor do SESC por três anos e logo iniciei trabalhos paralelos em cidades próximas de Santa Rosa, como por exemplo, Giruá, onde iniciei um trabalho e logo surgiram outros municípios e também grupos particulares. Fui convidado para dar aulas de capoeira para um grupo de doze ou quinze crianças carentes do bairro Cruzeiro, um trabalho interessantíssimo, pois, algumas pessoas da comunidade se uniram e juntaram um valor monetário mensal vindo da comercialização de garrafas pet que juntavam para me pagar. Esse processo se estendeu por um bom período até que certo dia me comunicaram que meus serviços estavam sendo dispensados, fiquei surpreso e triste, apesar de já imaginar o motivo, a falta de recursos”.
Ele lembra que quando teve a certeza de que haviam parado com as aulas devido a falta de recursos, procurou os responsáveis e chegaram em um acordo. “Eu continuaria dando aulas de graça enquanto dispusesse de tempo livre neste mesmo horário, e assim permanecemos por um longo período, foram grandes as conquistas e fortes as emoções vividas com a gurizada de Cruzeiro”.
Ibirá também trabalhou no Patronato, o que para ele foi uma experiência muito diferente, pois trabalhava com crianças carentes e tinha todo o lado humano envolvido. Esse trabalho lhe abriu portas para trabalhar na APAE.
“Trabalhar com crianças com necessidades especiais me ensinou muito, pois apliquei as mesmas técnicas que empregava com alunos ditos ‘normais’, e eles, apesar das limitações, tudo podem, e com isso percebi que eu também posso tudo e trago isso comigo até hoje e creio que vou levar para sempre, principalmente que os meus problemas não são nada se comparados às dificuldades deles. Desse trabalho na APAE tenho alunos que permanecem comigo até os dias de hoje, o que para mim é muito gratificante. Gosto muito de me envolver de fato com os grupos onde trabalho”. Atualmente, Ibirá desenvolve trabalhos nas cidades de São Luiz Gonzaga, Tuparendi e Tucunduva, trabalhos em parcerias com as prefeituras através dos CAS, PETI e das Secretarias de Desenvolvimento Social.
Em Santa Rosa ele desenvolve trabalhos com alunos da Escola Infantil Tia Miti, onde tem crianças de oito meses de idade que, através dos instrumentos que utiliza, elas interagem com palminhas e danças. “Também trabalho com o CASF de Santa Rosa, este em minha opinião, o mais gratificante, pois desenvolvo trabalho com crianças desde os primeiros anos de vida. É ai que digo que me realizo, pois, consigo realmente modificar, ajudar, participar efetivamente das atitudes deles através de ações de cidadania, mostrando os caminhos mais adequados que eles devem seguir. Através do CASF podemos viajar para várias cidades e também fora do Brasil, como na Argentina, e aí eu sempre procuro mostrar a eles a importância de se conhecer e respeitar outras culturas. Para realizar essas viagens nos unimos realmente de forma a juntar dinheiro para custear tudo e isso não é nada fácil, pois, estamos falando de famílias realmente carentes”. Com a prefeitura de Santa Rosa Ibirá trabalha em mais quatro escolas: a Expedicionário Weber, Pedro Esperoni, Francisco Xavier Giordani e Escola do Bairro Glória, todas até a 8ª série do ensino fundamental. Além das escolas, Ibirá trabalha no SESC e no Instituto Federal Farroupilha.

Jogo
Como se não bastasse ser professor, Ibirá também fabrica todos os instrumentos necessários para a prática da capoeira: berimbau, atabaque, reco-reco, a-go-go e chocalho. Para Ibirá, a capoeira, além de ser um movimento cultural, artístico e étnico, tem ritmo, que é fundamental para o bom capoeirista, sendo necessário para jogar capoeira além da elasticidade e gingado, também o canto, pois todos devem tocar, dançar e cantar, afirma ele.
Ibirá lembra que a capoeira é um jogo. “A capoeira também é um jogo, porém, para eu vencer o outro jogador eu não preciso bater, humilhar, machucar e nem ser machucado ou humilhado. Para ser o melhor numa roda de capoeira é preciso saber conduzir com maestria a roda de capoeira, fazer os movimentos com uma bela plástica, saber surpreender nas perguntas e respostas que consistem em jogar capoeira, se eu me sair melhor que o outro jogador nesse conjunto, então, sou o vencedor, porém, sem haver um perdedor. A capoeira não é jogada um contra o outro e sim um com o outro”.
Ibira resume sua vida. “Para mim o que tenho e o que vivo hoje, tudo é a capoeira, inclusive a minha companheira que conheci através da capoeira: foi trabalhar em uma cidade da região e então nos encontramos e somos felizes até os dias de hoje. Além disso, constitui uma empresa onde produzo e comercializo uniformes e artigos relacionados à capoeira, também faço palestras relacionados à etnia Afro. Hoje me sinto extremamente realizado com o que tenho e o que faço”.
Ibirá finaliza afirmando que o importante é plantarmos boas sementes que certamente resultarão em bons frutos. Sua frase preferida é “O mundo de Deus é grande, mas, cabe numa mão fechada. Um pouco com Deus é muito, mas, o muito sem Deus é nada”.

 

Ibirá conheceu a esposa por meio da capoeira. Ibirá conheceu a esposa por meio da capoeira.
Arquivo
  • Peixes Voadores "Levando com nós a bandeira do Rock And Roll"
  • Dos campos do Sul às rádios da América Latina “Meter a mão na terra, e dela retirar poemas e canções, é para quem sabe que dela saiu e para ela um dia voltará”.
  • "Só tenho tempo se estou ocupado" Roque Aloisio Weschenfelder diz que é professor nas horas de folga e nas demais escreve e interage com a família e o mundo.
  • "Larguem essas coisas e vão estudar" A Amplifield foi se formando aos poucos. Inicialmente o João Bauken – Baterista, convidou o Felipe Trindade – Guitarrista, para começar a fazer um som. O músico adquiriu a primeira guitarra na troca de uma bicicleta. Felipe relembra.
  • Me faço Arte Natural de Santa Rosa, Narda Lunardi estudou, entre outras escolas, no Visconde de Cairú, onde conheceu sua verdadeira vocação, a dança, o canto e a pintura.
  • Entre pedaladas mundo afora Egon Mittelstadt, 48 anos de idade, é natural de Santa Rosa, formado em Educação Física pela UNIJUÍ, professor de Taekwondo, Árbitro Esportivo e Ciclista.
  • Leitura como paixão! Natural de Campina das Missões, Jacob Petry é formado em filosofia pela Unijuí, tem 40 anos e desde 2006 mora na pequena cidade Hachensach, dos Estados Unidos.
  • Da arte do futebol para arte do teatro Denilson Levy, veio do Rio de Janeiro para “beber a água dos rios de Santa Rosa”.
  • Desafios como incentivo para viver Rosamélia Mensch Klein, viúva, aposentada, dona de casa, 72 anos de idade, filha de empresário, é natural da cidade de Ijuí.
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