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terça-feira,25 de setembro de 2018

Minha história

 

Literatura como filosofia de vida

Militância por um mundo mais justo através da cultura.

 

Magnus considera a cultura fundamental na vida das pessoas.
Magnus considera a cultura fundamental na vida das pessoas.

Nascido em 18 de outubro de 1978 em Tuparendi, onde morou até os três anos de idade, Magnus Langbecker mudou-se mais tarde para o Estado do Paraná, onde morou em vários lugares, ficando o maior tempo em meio a uma comunidade de ucranianos, onde acabou convivendo durante 10 anos com a cultura deles. Na sua adolescência, fez Magistério no ensino médio, trabalhou como recenseador do IBGE, mas sempre morou no meio agrícola.

Leitura
Desde pequeno Magnus foi apaixonado pela leitura. “Meu pai sempre foi um leitor vorás. Tudo que aparecia na frente ele lia, as dificuldades que tinha, ele buscava sanar nos jornais e livros. Ele tinha livros em alemão, na escrita gótica e muitos outros”.  Magnus lembra que enquanto não sabia ler, seu pai lia para ele, muitas vezes em alemão, já que ele gostava muito da sonoridade da língua.
Quando começou o Magistério ele tinha 15 anos e se dedicava muito aos estudos. Filho único, teve que sacrificar festas, bailes e a vida social por causa dos estudos. Quando ele acabou o senso em 2001, com seus pais já em idade avançada, Magnus veio para Santa Rosa, com o intuito de continuar estudando. “Quando cheguei aqui me deparei com 5 anos bem angustiantes. Não tinha emprego e não consegui continuar os estudos. Aí comecei a fazer concursos, entrei na prefeitura como auxiliar de serviços gerais, fazendo serviços braçais, o que não estava exatamente em meus planos, mas era o que tinha. Aí me sacrifiquei e consegui fazer  dois semestres da  faculdades de Letras, depois fiz o ENEM e consegui 100% de bolsa no curso de Ciências Biológicas na Unijuí, área esta que se eu tivesse liberdade de escolher, não estaria nem entre as cinco primeiras da lista”.

Literatura
Desde o momento que aprendeu a ler, a literatura começou a fazer parte da sua vida. Começou a escrever e sempre se destacava nas aulas de redação. “Estava na terceira série do primário quando o Ministério da Educação mandou caixas grandes de material e livros coloridos e bonitos. Então nós começamos a pedir para a professora quando ela nos daria os livros para ler e aí tivemos uma batalha porque os livros eram muito bonitos e ela não queria nos dar. Tivemos que mobilizar a turma e fazer uma campanha para a professora nos liberar os livros e assinar um termo se comprometendo em não estragá-los. Essa resistência e dificuldade de não poder ler, nos instigou a querer ler ainda mais. Eu tinha 9 anos e nunca esqueci disso”.
A partir da quinta série do ensino fundamental, Magnus começou a frequentar escolas que tinham bibliotecas disponíveis aos alunos. “Quando eu comecei o magistério, lia praticamente um livro por dia. Durante o magistério eu chegava a ler 300 a 400 páginas por dia e sempre me concentrando na literatura. Lembro-me do livro o ‘Pássaro da Escuridão’, de Eugenia Sereno, tem 800 páginas e eu li em dois dias, apesar de ser uma literatura difícil”. Magnus escrevia e lia muito. Conta que na 7ª série, com 13 anos, lia livros nada comuns para esta idade, como: Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Hannah Arendt, Heidegger.

Política
Também por influência paterna, Magnus entrou na vida política. “Meu pai era Brizolista. A militância no partido comunista também vem disso. Eu sempre ouvia meu pai falar que no Brasil tinha que dar liberdade para todos se expressarem, inclusive o partido comunista tinha que ser legal. Era inadmissível que fosse negado a um partido expressar suas ideias. Assim foi o primeiro contato que tive com essa ideologia e tive muita curiosidade”. Magnus acredita que as coisas podem ser organizadas na sociedade de uma forma mais justa e humana.  “Eu não entendo como pode haver fartura num canto e na mesma quadra possa haver alguém passando fome. Eu acho que a humanidade tem que administrar as riquezas do mundo de forma mais justa e humana. Por causa disso eu escolhi a militância, por que se a gente não está satisfeito com alguma coisa temos que ir atrás de soluções”.

ASES
Escritor há muito tempo, Magnus teve suas primeiras publicações na internet. Conta que conheceu o site www.recantodasletras.com.br, que publica textos de autores que se cadastram e achou interessante para testar seus textos. “Se fosse um fracasso as pessoas não precisariam dizer isso pra mim, elas não me conheceriam na internet”.  Com isso Magnus começou a frequentar lanhouses na cidade e foi quando conheceu a Maira Engers e sua batalha pelos livros e, consequentemente, a Associação Santa-rosense de Escritores. “Minha primeira coletânea como escritor convidado foi ‘Sem Digitais’. Eu já havia enviado um texto para a editora Olho da Água e eles tinham publicado em uma coletânea chamada ‘Caleidoscópio’, que foi vendido em uma livraria à nível nacional”.
Mas foi a partir de 2006 que Magnus começou a participar do cenário cultural a nível de literatura. Em 2007 se associou na ASES, que vivia um momento conturbado. “Numa reunião de emergência se discutiu em extinguir a entidade ou criar uma diretoria de emergência. Naquele primeiro momento assumi de segundo secretário no ‘mandato tampão’. Mas a situação da entidade estava muito complicada e ninguém mais queria assumir a presidência. Aí assumi como presidente”.
“Fomos gerenciando e conseguimos sanar a questão financeira e a partir disso apareceram iniciativas positivas como o Fundo Municipal de Cultura, que junto da Secretaria de Cultura e Turismo possibilitou a busca por convênios, apoios e patrocínios. Conseguimos transformar a iniciativa da Semana Mundial do Livro em algo que cresce a cada ano. O evento se consolidou com a publicação da coletânea Expressão Livre, o Sarau Expressão Livre no Sesc, com o Varal de livros, a distribuição de livros na praça, oficinas, etc.”. Magnus lembra que as oficinas são muito importantes, já que formam leitores, pois não adianta os escritores escreverem uns para os outros. “As oficinas possibilitam isso dentro da ideia de relacionar a militância com uma sociedade mais organizada. Eu vejo que nós ainda pecamos em Santa Rosa na distribuição de pontos de cultura. Não existe uma inserção de teatro nem uma extensão de eventos de música e literatura de qualidade para a periferia. Nós sabemos que muitas pessoas, por um motivo ou outro, não freqüentam o Centro Cívico nem o teatro do Sesc, que muitas vezes até tem apresentações gratuitas. Como o Sesc tem descentralizado o teatro e levado para muitas cidades do interior, nós também precisamos levar eventos culturais para locais como a Planalto, Auxiliadora, Agrícola, isso certamente teria público”.
Magnus afirma que se você der oportunidade as pessoas vão se inserir em todos os meios. Considera que uma sociedade sem cultura não é uma sociedade completa e se indigna quando participa de uma sessão da Câmara de Vereadores e vê os políticos questionarem investimentos nas áreas culturais, alegando que seria mais interessante investir em outros pontos. “A nossa sociedade e os nossos representantes no poder público tem que se conscientizarem que investir em cultura não é só com o dinheiro que sobra do orçamento público, tem que ser pensado com a mesma importância de todo o resto do investimento público”.

Sonhos
Magnus está concluindo o curso de Ciências Biológicas e lançou o primeiro livro de Literatura Infantil em parceria com Ciro Neto. “Vinculando a literatura com a questão ambiental, eu gostaria de lançar meu nome a um cargo público. Isso sempre pensando se a reforma política não limitar a possibilidade de militância em um partido. Porque se for aprovada a candidatura em lista fechada, eu me retiro da política. Pois considero que isso vai favorecer a perpetuação da lista das oligarquias, aí eu sei quem vai ser o primeiro nome de todos os partidos aqui existentes e não vale a pena continuar militando nesse meio”.
Magnus finaliza afirmando que sempre quer procurar se inserir nas discussões e contribuir para que o mundo seja mais tolerável para todos.  “Se alguns não acreditam que existe a possibilidade de amarmos a todos, que respeitam e toleram as ideias e pensamentos diversos, pois só assim teremos um mundo melhor”.

 

Arquivo
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  • "Só tenho tempo se estou ocupado" Roque Aloisio Weschenfelder diz que é professor nas horas de folga e nas demais escreve e interage com a família e o mundo.
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  • Me faço Arte Natural de Santa Rosa, Narda Lunardi estudou, entre outras escolas, no Visconde de Cairú, onde conheceu sua verdadeira vocação, a dança, o canto e a pintura.
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  • Da arte do futebol para arte do teatro Denilson Levy, veio do Rio de Janeiro para “beber a água dos rios de Santa Rosa”.
  • Desafios como incentivo para viver Rosamélia Mensch Klein, viúva, aposentada, dona de casa, 72 anos de idade, filha de empresário, é natural da cidade de Ijuí.
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