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11/03/2013 21h31 - Atualizado em 11/03/2013 22h05

Os candidatos mais cotados para assumir o posto de papa

O conclave se reúne no dia 12 de março

 

Marc Ouellet Marc Ouellet

O conclave que se reúne no dia 12 de março no Vaticano é uma assembléia onde os cardeais do mundo inteiro se isolam para evitar pressões até conseguirem eleger o próximo papa, após a renúncia de Bento 16. Escolhido através de votação, o nome do novo líder da Igreja Católica vem sendo especulado no mundo inteiro. Veja quais são os cardeais mais cotados para assumir o posto deixado pelo teólogo alemão.

 

1.    Marc Ouellet (Canadá, 68 anos): é o chefe da Congregação para os Bispos, uma espécie de departamento pessoal do Vaticano. Teólogo da mesma linhagem de Bento 16, declarou certa vez que virar papa "seria um pesadelo". Embora bem relacionado na cúria (a administração central da Igreja), e na América Latina, pode ser prejudicado pela dificuldade de seu período como arcebispo de Québec, onde suas visões conservadoreas causaram conflito com a sociedade local bastante secular.

2.    Peter Erdo (Hungria, 60 anos): aparece como uma possibilidade se a maioria europeia do conclave não eleger um italiano, mas relutar em aceitar um papa de fora do continente. Dois mandatos como presidente da conferência episcopal europeia e uma forte relação com prelados africanos indicam que ele tem bons contatos. Ele também é um pioneiro na iniciativa de "Nova Evangelização" para reavivar a fé católica na Europa.

3.    Christoph Schoenborn (Áustria, 68 anos): foi aluno de Joseph Ratzinger (Bento 16) e se tornou arcebispo de Viena após um escândalo de abuso sexual. Pregador poliglota, critica a forma como o Vaticano lida com a crise, e apoia reformas cautelosas, inclusive para demonstrar mais respeito a católicos homossexuais. Isso, junto com uma forte resistência ao seu nome por parte de padres austríacos, pode afetar suas chances junto aos conservadores.

4.    Gianfranco Ravasi (Itália, 70 anos): é o ministro da Cultura do Vaticano e representa a Igreja nos âmbitos da arte, da ciência, da cultura e até junto aos ateus. Escritor e pregador brilhante, propenso a citar de Aristóteles a Amy Winehouse, parece ter um perfil em descompasso com o de pregador-gestor que os cardeais dizem procurar para substituir o influente teólogo Bento 16.

5.    Sean O'Malley (EUA, 68 anos): é o candidato de "mãos limpas" se os cardeais decidirem que a maior prioridade da Igreja é resolver a crise decorrente dos abusos sexuais cometidos por clérigos. Nomeado em 2003 como arcebispo de Boston, após uma grande crise por lá devido a abusos sexuais, ele vendeu bens da arquidiocese para indenizar vítimas e fechou igrejas pouco frequentadas, apesar de protestos. Sua autoridade calma e sua humildade franciscana podem atenuar as preocupações sobre um "papa com superpoderes".

6.    Angelo Scola (Itália, 71 anos) é o arcebispo de Milão, tradicional plataforma para o papado, e principal candidato italiano. Especialista em teologia moral, foi transferido de Veneza (outro bloco de lançamento papal) para lá pelo papa Bento 16 em 2011, no que alguns viram como um sinal de aprovação. Scola foi próximo por bastante tempo do grupo conservador católico italiano Comunhão e Libertação, que Bento 16 também apoiava, mas manteve distância nos últimos anos. É também familiarizado com o islamismo, na qualidade de chefe de uma fundação que promove o entendimento entre cristãos e muçulmanos. Tem uma oratória intelectualizada, o que pode afastar cardeais que busquem um comunicador mais carismático.

7.    Odilo Scherer (Brasil, 63 anos): é o principal candidato da América Latina, onde vivem 42 por cento dos católicos do mundo. Arcebispo de São Paulo, maior arquidiocese do país, ele é um conservador para os padrões brasileiros, mas seria visto como moderado em outros lugares. Suas raízes familiares alemães e o período trabalhando na cúria do Vaticano lhe dão ligações importantes com a Europa, o maior bloco de votação. A imprensa italiana diz que ele goza de apoio entre os cardeais da cúria contrários a Scola. É conhecido pelo senso de humor e por usar o Twitter regularmente. O rápido crescimento das igrejas evangélicas no Brasil pode pesar contra ele.

8.    Luis Tagle (Filipinas, 55 anos) tem um carisma comparável ao do falecido papa João Paulo 2º. O hoje arcebispo de Manila se aproximou do papa emérito Bento 16 quando ambos trabalharam juntos numa comissão teológica do Vaticano. É um estrela em ascensão da Igreja na Ásia, mas só virou cardeal em novembro passado. Os participantes do conclave podem relutar em eleger um candidato jovem demais, que tenha um pontificado excessivamente longo.

9.    Peter Turkson (Gana, 64 anos): é o principal candidato africano. Chefe do Departamento de Justiça e Paz do Vaticano, é o porta-voz da consciência social na Igreja e apoia uma reforma financeira mundial. Mas numa recente assembleia do Vaticano ele apresentou um vídeo com ataques à religião islâmica, o que gerou dúvidas sobre suas habilidades diplomáticas. Críticos dizem que ele faz uma campanha muito ostensiva.

10.  João Bráz de Aviz (Brasil, 65 anos) levou ar fresco ao assumir o departamento do Vaticano para Congregações Religiosas, em 2011. Vê com simpatia a Teologia da Libertação na América Latina por sua ajuda aos pobres, mas não por seu ativismo de esquerda. O ex-arcebispo de Brasília é discreto, o que pode ajuda ou atrapalhar suas chances, dependendo do andamento do conclave. 

 

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