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domingo,20 de setembro de 2020

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13/06/2020 21h46 - Atualizado em 13/06/2020 22h41

Os inimigos são imaginários, os trouxas e os fascistas são reais

Paulo Schultz Paulo Schultz
Professor
Bolsonaro não governa.
Mas não é porque não o deixam.
É porque, em primeiro lugar, Bolsonaro não é muito chegado ao trabalho (lembre que ele foi deputado federal  por 28 longos, improdutivos e ociosos anos, estando literalmente "encostado" na Câmara), então  delega e terceiriza tudo para os seus parceiros de governo realizarem.
 
Em segundo lugar,  para que ele tenha tempo de fazer aquilo que, de fato, quer : ser um combatente ideológico, em tempo integral.
 
Ele ocupa seus dias não com o ato de governar, mas em  ser um produtor de intrigas, atritos e inimigos,   e fazer pregação contra a esquerda, o "comunismo", e a favor do seu plano anarcocapitalista, idealizado por ele, seus filhos, e o mentor lunático da família, Olavo de Carvalho.
 
Qualquer um que o contrarie, especialmente a parte    do estilhaçamento dos pilares da República, e a construção da sociedade anárquica baseada em armas, milícias, fundamentalismo religioso, negacionismo e ausência  do poder público, é taxado, de forma simplória, mas eficiente, de "comunista".
 
Bolsonaro conseguiu construir no imaginário e nas ações de seus seguidores uma convicção simplória, ignorante e torta, de que ele e seu governo querem salvar o país do "comunismo", da ideologia de gênero, da corrupção, do "marxismo cultural", etc., mas as "forças diabólicas do comunismo" o querem impedir.
 
 Dessa necessidade de "combater estas forças" é que vem o conflito diário e permanente.
Bolsonaro escolhe ardilosamente, todo dia,  um inimigo a ser enfrentado por ele, seu governo, e, principalmente, pelos fiéis seguidores.
 
Ou é  Maia, ou Alcolumbre, ou o STF, a OMS,  ou são cientistas, professores universitários, governadores, etc.
Não tem fim.
Nem terá, pela sua vontade.
 
Bolsonaro precisa criar esses inimigos imaginários diariamente para manter ocupados e "alimentados" os seus seguidores fiéis.
 
Ele define seus "inimigos", propaga quem são estes inimigos, e  sua rede poderosa de comunicação se encarrega de disseminar isso rapidamente.
Pronto: "colou mais um inimigo" para os bolsonaristas combaterem em apoio ao seu "mito"
 
A questão aqui é que Bolsonaro,  seus filhos, e os assessores do núcleo mais íntimo do poder, sabem que isso é uma estratégia política, em que, majoritariamente, os inimigos são imaginários.
 
 Porém, os seguidores bolsonaristas crêem que isso é real.
 
 E daí temos duas vertentes.
 
 A vertente dos que fazem papel de trouxa, tomando a palavra de ordem do "mito" como verdade, e  a repetindo, postando, defendendo, se expondo de maneira ridícula e ignorante nas ruas e redes.
 
Um papelão vergonhoso,  que não é visto assim agora,  mas que será reconhecido assim lá na frente.
 
A segunda vertente é a perigosa - a dos fascistas.
 
Estes, como os da primeira vertente , tomam por verdade a palavra de ordem dada.
 
A diferença está na reação: ela vem em forma de violência, armada ou não.
Ela vem, por exemplo, no cumprimento do estímulo de se invadir hospitais a  pretexto de provar que a epidemia de coronavírus é uma mentira inflada por quem que "derrubar o mito".
Ela vem na hostilidade agressiva dos que se postam em frente ao STF e proferem ameaças de morte e fechamento.
Ela vem através daqueles que pedem, de modo agressivo,  que se faça uma intervenção militar, e se elimine os tais "inimigos" do Messias.
 
Isso é o real.... seguidores do bolsonarismo que fazem papel de trouxa,  acreditando em um espertalhão com um ideário torto e bárbaro, e os fascistas, que, estimulados pelo seu líder, colocam em prática sua concepção violenta de sociedade.
 
O risco está na conjugação destes grupos,  do quanto do imaginário virá para o mundo real, e da reação do país a isso.

 

Este artigo é de responsabilidade exclusiva do seu autor, não representando necessariamente a opinião do portal.

 

Comentários

olha....relendo o título deste post levei um susto, pensei: ué, será que o digníssimo professor vai falar do lula hoje? Inimigo imaginário.....é a especialidade do lula, ele sempre venceu, em seus discursos, um inimigo que não existe, para convencer os TROUXAS de plantão que lula era um super herói. Fascista? esse negócio já encheu, caro admirador do macunaíma petista, pois já se viu que vocês chamam de fascista todos aqueles que ousam discordar de suas teorias idiotas.

Joca - 15/06/2020 15h44

Mais do mesmo como sempre todos os dias. Então eu vou com mais do mesmo também, porém, o que vou dizer é comprovado pelos vários fatos ocorridos mundo afora quando os "revolucionários" esquerdistas tomaram o poder: quando a esquerda toma o poder para derrubar a elite opressora, cria uma nova elite ainda mais corrupta que aquela que derrubou. São exemplos Cuba - onde a família Fidel não passa a menor necessidade, Venezuela - onde a filha do Chaves percorria o mundo de jatinho particular, e Brasil - onde a corrupção tomou ares epidemiológicos (só para aproveitar o termo atual) e a turminha lulista se esbaldou no poder. VOCÊS NÃO SABEM O QUE É DEMOCRACIA, embora carreguem esta palavra em todas manifestações, SÃO TOTALITÁRIOS (como todo antidemocrático) e incapazes de liderar qualquer coisa, quanto mais governar democrática e progressivamente.

Joca - 15/06/2020 10h18

Correta análise Paulo! Houve tempo em que defensores de Presidentes apregoavam: "Deixe o homem trabalhar". Hoje o recado o recado poderia ser: "Presidente, vai trabalhar! E parte de agitar"!

José Sabino Rohr - 14/06/2020 22h48

Valeu Paulo. Sintetiza a previsibilidade de alguém que não quer ser Estadista. O Presidente deve sentar na cadeira.

Janquiel - 14/06/2020 21h07

Perfeita análise! Enquanto ele ocupa seus seguidores nessa perseguição, o Guedes e toda a sua equipe de ministros, vão correndo por fora, matando índio, incentivando a invasão das suas terras, invandindo hospitais, vendendo nossas riquezas, retirando nossos direitos, matando o povo. Não precisamos de mais nenhum inimigo com um governo desses. Agora o PSDB nega apoio pra pedir o impeachment dele. Já comprou o centrão. Significa, assim como Temer, que chega ao final do governo e se duvidar à reeleição. Quanto maior o caos, mais essa turma se delicia!

Mara Rosana Rosa Foltz - 14/06/2020 14h52

Os trouxas, talvez um dia se recolherão envergonhados e calados, porque a coragem não é tão comum assim. Os fascistas, aí podemos dizer que se subdividem entre aqueles que agem agredindo, roubando, invadindo, atirando pedras, balas...assumidos que são, e aqueles que funcionam como apoiadores ou delatores, desprovidos de autonomia, conhecimento, ou visão crítica sobre o mundo , ignoram ou desconhecem a democracia como condição de vida da sociedade contemporânea, mas se acham as 'pessoas de bem'!

NEUSETE MACHADO RIGO - 14/06/2020 14h20

Conheço muitos assim. Que adormeceram nesta ignorância Cultural.

Adalberto Paulo Klock - 14/06/2020 10h29

 

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