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domingo,20 de setembro de 2020

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04/04/2020 20h05 - Atualizado em 04/04/2020 23h24

Jabá ideológico

Paulo Schultz Paulo Schultz
Professor
Era prática comum emissoras, locutores e apresentadores de programas de rádio receberem o famoso "jabá", para promoverem uma música, ou algum álbum, de determinado cantor ou grupo.
A prática, sempre camuflada e  negada, ainda existe (basta uma pesquisa sobre  "jabá musical" no Google, e matérias falando sobre a existência do mesmo aparecem).
 
 Mas, como tudo se aperfeiçoa,  baseado na experiência do original jabá musical, temos sua versão política -  o jabá ideológico.
 
Este consiste, por exemplo,  em pagamento feito a apresentadores de programa, seja de rádio, TV, ou internet, para defender posições políticas, ações e projetos de governo.
 
! Um espetáculo !
 
Ano passado, por exemplo, tivemos exemplos de jabás fabulosos.
Para ajudar a convencer a população de que a reforma da previdência seria urgente, necessária e benéfica, o governo Bolsonaro fez uma movimentação de milhões de reais focando  no merchandising (um nome requintado para o jabá) envolvendo apresentadores de renome e audiência no país.
 
 Entre os   apresentadores, receberam o jabá oficial,   Eliana (R$ 269 mil),  Otávio Mesquita (R$ 218 mil), e  Ratinho (R$ 915 mil).
 
? Você não reparou,  no ano passado,   apresentadores de programa defendendo com unhas e dentes a reforma da previdência, mesmo que, por deslize verbal,  admitissem que não entendiam nada daquele assunto?
 
 ? Ou defesas firmes de outras ações de algum governo local ou estadual ?
 
Uma movimentação intensa nas mídias,  defesas ardorosas e contundentes, feitas com a veemência necessária, as quais , junto com a credibilidade do apresentador(a),  fazem "vender o peixe".
 
 Esse exemplo da reforma da previdência e dos jabás em  sua defesa é um, entre tantos.
 
Serve para que  as pessoas abram o olho, e percebam que, no mundo da comunicação de massa, nem todas as defesas são movidas por convicções. 
Muitas  são movidas por incentivos que, embora possam ser legais, são questionáveis do ponto de vista de ética, e  não tem, via de regra, compromisso com a  veracidade.
 
A verdade que te vendem, pode ser uma mentira.
Bem embalada, com um generoso "jabázinho".

 

Este artigo é de responsabilidade exclusiva do seu autor, não representando necessariamente a opinião do portal.

 

Comentários

Essa é a nossa grande mídia. E as mídias que temos aqui mesmo, de regra controlada por politicos e fazendo politica sempre. Pena que não se fez a regulação da mídia.

Adalberto Paulo Klock - 05/04/2020 09h18

Joseph Goebbels ministro da propaganda nazista alemã seria um incentivador dessa estratégia.

Marvius - 04/04/2020 22h45

Só verdades.Gostaria de fazer um comentário com você está questão da Mídia é muita séria e precisamos dialogar e muito sobre isso.Precisamos conhecer melhor a lei das complicações é fazer valer nossos direitos

Helena - 04/04/2020 22h42

 

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