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sábado,8 de agosto de 2020

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26/07/2020 16h27 - Atualizado em 26/07/2020 16h35

Está faltando mais brio e indignação

Paulo Schultz Paulo Schultz
Professor
Direto no ponto: está pior a condição de vida da maioria dos brasileiros.
 
Um quadro de piora que vem num crescente desde 2015.
 
Antes da pandemia já estava ruim, e vai agravar.
 
No fim do ano passado, no campo do emprego, praticamente metade dos brasileiros em idade ativa de trabalho, ou estavam desempregados, ou estavam na informalidade, trabalhando de forma precária, e com ganhos insuficientes.
A situação durante e pós pandemia vai agravar este quadro - mais desemprego e mais informalidade precária.
 
O país que tinha deixado o mapa da fome tem, de novo, milhões de pessoas não tendo alimentação mínima e digna todos os dias.
 
Na vida real da economia, o PIB brasileiro estagnou o ano todo de 2019.
 Só viu e mentiu otimismo o   representante do mercado especulativo e financeiro,  ministro Paulo Guedes.
 
As classes baixas, mais necessitadas de políticas públicas sociais, vem crescentemente empobrecendo e vendo suas carências básicas se avolumarem no dia-a-dia de suas vidas e comunidades.
 
E como o governo Bolsonaro tá c...... e andando para este povo todo, e  os governos municipais e estaduais não conseguem dar conta de recursos para esta demanda toda, milhões ficam
vulneráveis e prontos a entrar massivamente no mundo picareta, fabuloso e lucrativo (para poucos) das igrejas neopentecostais, onde pastores vigaristas fazem fortuna às custas do desespero e desamparo de milhões.
 
 Aliás, neste caso específico, há uma parceria perfeita entre tipos  Malafaias,  vendedores de feijão milagroso e Bolsonaro.
Este retira políticas sociais, ausentando o poder público da vida das pessoas que dele precisam, e o mundo  neopentecostal arrebanha milhões de fiéis para sua "obra divina, ao passo em que os direciona ao ideário bolsonarista, como retribuição.
 
Há um quadro desenhado de caos, que, como sempre friso, é intencional.
 
É a sociedade anarcocapitalista dos sonhos de Bolsonaro e  Olavo de Carvalho - um enorme faroeste, onde vale a lei do mais forte, imposta a bala, de forma legalmente liberada, sem mediação e proteção do poder público.
 
A questão que se impõe, frente a este quadro, é:
como é que a grande maioria dos brasileiros, que não aprovam o não-governo do Capitão Messias,e estão sofrendo as consequências diariamente, saem desta condição?
 
Dentro do limite da democracia representativa, temos um evento importante em novembro, que são as eleições municipais.
Nelas, é preciso que todas as forças de esquerda e do campo progressista ocupem o maior espaço institucional possível, para enfrentar toda a destruição e ausência que vêm do governo federal, e apontar para o outro modo de governar, priorizando a maioria da população.
 
Mas é preciso mais brio e ousadia, para além dos limites da institucionalidade.
 
É preciso mais indignação, e que esta seja expressa pela democracia direta e participativa da população,  dos setores diversos da sociedade, nas ruas e espaços.
 
O brio aguerrido das torcidas organizadas de clubes de futebol, encarando as hordas bolsonaristas.
 
A indignação libertadora dos entregadores precarizados do mundo dos aplicativos.
 
A estes fronts os partidos de esquerda, o movimento sindical, os movimentos sociais, precisam se somar.
 
É aí que vai se enfrentar, de fato, e encurralar politicamente, um governo encabeçado por um sociopata, que faz de um medicamento inócuo e de risco (a santa cloroquina) uma espécie de Bíblia de lunáticos,  que precisa ser mostrada todos os dias em rede e na mídia, como um ato perverso de desprezo aos mais de 80 mil mortos pela epidemia.
 
Sim,  está faltando mais brio e indignação, para além dos limites da institucionalidade.
 
Não há que se temer rompantes e blefes de golpe.
 
Bolsonaro apesar de espertalhão, e de seu viés autoritário e perigoso, é uma figura bizarra fraca.
 
E o conjunto da maioria do país, que não tolera mais o que se tem visto nesse pouco mais de um  ano e meio de não-governo, devem se fazer valer por serem a verdadeira e majoritária cidadania do país.
 
Ao trabalho!

 

Este artigo é de responsabilidade exclusiva do seu autor, não representando necessariamente a opinião do portal.

 

Comentários

Tá faltando mais brio e indignação e unidade na luta contra o bolsonarismo. Um viés interessante que tu trouxe, Paulo, é o movimento dos entregadores de aplicativo, muito pertinente agora. Um movimento que tem muito a nos ensinar, por ser independente e coeso nas suas demandas. E não depende de partidos. É um verdadeiro movimento popular, que nos faz pensar em novas formas de luta engajadas. As esquerdas assim como as classes trabalhadoras, terão que se reinventar.

Roselaine Bitencourt - 27/07/2020 16h39

De fato, Paulo, está faltando brio e indignação, mas também, coragem àqueles que elegeram esse governo medíocre e genocida que temos, e que agora perceberam (oh, só agora!) o buraco em que meteram nosso país, para reconhecerem e se manifestarem. Mas, não cabe a nós julgarmos, o voto é livre. Pior mesmo é perceber uma parcela da população que faz de conta que está tudo melhor do que antes. A pobreza aumentando, a desigualdade social crescendo, direitos indo para o ralo, o país sendo vendido, envenenado, a Amazônia entregue...mas o mais importante é que tiraram o PT do governo, isso é mais importante do que o seu país e seu povo!

NEUSETE MACHADO RIGO - 26/07/2020 21h55

NÃO ESTÁ faltando brio e indignação, pois foi justamente o brio e a indignação que derrotaram lula macunaíma na última eleição, quem aliás, eu espero que nunca mais volte.

Joca - 26/07/2020 21h34

Anarcocapitalismo? não, caro adorador do quadrúpede mor do Estado petralha. O governo quer apenas que o Estado detenha aquilo que é dever institucional do Estado, e só. Todo o restante, que deve estar na ordem privada, quando estão na esfera governamental só servem para os governos safados se locupletarem enquanto enganam o povo, leia-se PT - Petê, entendeu ou quer que desenhe? lula, o maior safado, mentiroso e bafo-de-onça é o principal representante dessa categoria de gentinha que se elege para saquear os cofres públicos sem o menor pudor. Mas a petralhada, como de costume, vai continuar defendendo estado inchado para dar emprego a todo tipo de vagabundo nauseabundo preguiçoso e mal intencionado como o próprio líder, pendurado num cabide de emprego que atrasa a nação e não produz absolutamente nada, a não ser o discurso hipócrita do próprio partido que o empregou. Gentinha inútil. Vocês são o atraso da nação brasileira.

Joca - 26/07/2020 18h44

 

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