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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

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21/12/2016 15h07 - Atualizado em 21/12/2016 15h09

Sartori não veio para confundir. Veio para destruir

Sergio Araujo - Sul 21 Sergio Araujo - Sul 21
Sergio Araujo é jornalista e publicitário.

Precisou que se passasse dois anos deste a última eleição estadual para que os gaúchos se dessem conta de que Sartori, o personagem enigmático da campanha eleitoral de 2014, ao contrário do que boa parte dos eleitores imaginou, nada tinha de ingênuo e bem intencionado. Ele sabia muito bem o que pretendia fazer. Só não podia dizer.

E hoje sabemos o motivo. No seu script de atuação, redigido em parceria com o que há de mais retrógrado no empresariado gaúcho, estava a conclusão do trabalho iniciado pelo governo Britto: Acabar com o que restou da máquina pública do Estado.

Ok. Não tem como não reconhecer as limitações intelectuais do governador peemedebista, claramente detectáveis nas suas manifestações públicas, mas isso não lhe reduz a responsabilidade pelos seus atos. Pelo contrário, aumenta ainda mais, pois fortalece a sua imagem de “marionete”, inaceitável para quem ocupa o cargo mais elevado da política gaúcha. Nem o empresário mais otimista esperaria tanto apoio às teses da categoria como Sartori e sua equipe tem dado.

Mas sejamos sinceros, não é apenas Sartori que tem “simpatia” pelo companheirismo privado. A maioria dos deputados que estão votando as medidas recessivas e danosas aos interesses dos funcionalismo e do Estado, tiveram suas campanhas patrocinadas por empresas privadas. Não importa se legalmente ou não. E agora, na hora de votar o pacote de maldades do governador, estão tendo a obrigação de retribuir o “favor”.

Some-se a isso a pratica do velho e não mais tolerável fisiologismo. Refiro-me ao uso do mandato para a busca de “espaço” no poder. Seja em cargos do primeiro e segundo escalão, seja pela conquista de CCs ou FGs, ou até mesmo o compromisso de execução de uma ou mais obras de interesse individualizado. Uma prática de sedução vergonhosa que é usada como moeda de troca para os governos atingirem a quantidade necessária de votos para aprovar seus projetos.

Com uma população atordoada pelos escândalos de corrupção, que ainda a impede de enxergar com clareza as manobras sorrateiras dos adeptos da política do interesse próprio, o governo do Estado tem usado todo o seu arsenal de influência. Tanto interno como externo. No último caso, movidos por interesses comuns, com predominância do fator econômico, imprensa e governo pactuam da mesma linha editorial. A culpa é do serviço público.

Como se isso não bastasse, o governo Sartori transformou a Brigada Militar numa milícia truculenta e radical, que ao contrário do acontece no combate a crescente criminalidade, tem sido impiedosa no ataque aos movimentos sociais. Um legítimo ou vai por bem, ou vai por mal.

Em meio a essa briga de David contra Golias, o contribuinte e principalmente os servidores públicos estaduais, pouco podem fazer para interromper a saga desse governo dominador. Mas a história é pródiga em mostrar que nem sempre um povo subjugado é sinônimo de concordância e passividade.

Tal qual um vulcão adormecido, a grande massa de brasileiros e gaúchos, agrilhoada por interesses pouco ou nada transparentes, está demonstrando diariamente sua insatisfação com o atual status quo da política nacional. E quer ver corruptos e maus gestores bem longe do poder. De preferência na cadeia ou impedidos de exercer cargos públicos.

Talvez leve ainda algum tempo para governantes e políticos entenderem essa nova realidade. Zumbis da direita radical, aproveitadores da turbulência social que se propaga no Brasil e no mundo, ainda precisarão ser recolocados em suas catacumbas.  Mas que a nova ordem social, com o cidadão à frente dos seus interesses, irá prevalecer não resta nenhuma dúvida. Mesmo que para isso leve algum tempo para reconstruir o que foi destruído.

Talvez Sartori acredite que veio para servir de “Salvador da Pátria”. Ou quem sabe o “Imperador dos Pampas”. O “Todo Poderoso”. Mas o tempo, comandante supremo da Justiça, haverá de mostrar que o povo sempre tem razão. Tal qual massa de pão que quanto mais apanha mais cresce, os servidores públicos estaduais e àqueles que dependem dos serviços públicos irão, a exemplo do que fez Sepé Tiaraju, mostrar que essa terra tem dono. O povo.

 

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