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22/03/2011 20h49 - Atualizado em 22/03/2011 20h51

Um outro olhar

Gerson Miguel Lauermann Gerson Miguel Lauermann
Contador, Consultor, Especialista em Comércio Exterior e Mestrando em Administração Estratégica de Negócios; Coordenador do Departamento de Cultura e Educação da FEBAP Brasil; Sócio-fundador e ex-presidente da ALMA – Associação Literária Mário Quintana de Santo Cristo; tem publicação em livro de contos regionais e em conjunto com outros autores em obras a nível nacional. Compositor de poemas nativistas gravados por Careca e Darlan Ortaça, Emmerson Gottardo, Mauro Dias e Berico de Miguel.

“Ajudai-me, óh Manitu, a não julgar meu semelhante antes que eu tenha andado sete dias com suas sandálias.” Provérbio dos Índios Sioux

Seja pela formação, seja por convicções ou somente por conveniência, costumamos defender somente nossos pontos de vista. Idealizamos algo, considerando nossos prós e empurrando os contras para a outra parte.
Ao longo dos anos aprendemos a segmentar nossa forma de ver as coisas. Nordeste é só seca; África é só deserto e fome; Paraguai é o paraíso da falsificação, contrabando e origem de toda a droga que abastece a região. Ledo engano.
Temos nossos pecados com o Paraguai não só pelo que foi feito à época da Guerra da Tríplice Aliança - que para alguns deles ainda não acabou -, mas também pela (re)colonização daquele país por brasileiros, os hoje “brasiguaios”. Não que a estada deles lá seja algo de todo daninho. Mas, sob a ótica da destruição dos recursos naturais em nome do progresso, sim. Ainda há o detalhe de muitos mandarem os filhos estudarem no Brasil ou até manter seu dinheiro aplicado em bancos no Brasil. Soma-se a isso a necessidade energética recente da Argentina elevando o nível da barragem de Yaciretá.
Tendo-se em conta a visão desenvolvimentista econômica, que se percebe e aceita-se agressões ao meio-ambiente em nome do progresso, considerando-se que para produzir também alimentos, precisa-se gerar energia. As conseqüências terão que ser minimizadas. Às constantes reclamações dos atingidos pela barragem, comenta-se que é choro de perdedor, de preguiçoso, de alguém que quer tirar proveito da situação.
Na semana passada, na sexta-feira 18/03, através de articulação do Núcleo de Relações Exteriores da FEMA que coordeno, trouxemos professores do curso de Serviço Social da UNAE, Universidade Autônoma de Encarnación para a aula inaugural do curso congênere na FEMA.
Os temas por eles tratados referiram-se à situação do serviço social no Paraguai, distante 200 Km de Santa Rosa. Acostumei ver o Paraguai como terra de oportunidades, seja pelo crescimento econômico importante dos últimos anos, seja pelo vigor e força de trabalho que tem. Paraguai não é só Ciudad del Este; também não é só produtos falsificados. Aliás, os produtos falsificados - que se vendem aqui também -, nem são produzidos naquele país.
Aprendi a ver o Paraguai com outro olhar. Aprendi que sim, que o desenvolvimento econômico é importante. Mas, no mesmo compasso, o desenvolvimento social é igualmente importante.
Senti o drama nos relatos dos professores ao evidenciar aos acadêmicos de Serviço Social da FEMA, a situação da área social no Paraguai. Porém, senti que também tem muito a ver com a capacidade de indignação do povo. Por eles mesmos qualificados como pacatos, condicionados a silenciar e a não meter-se em coisas que não são de seu interesse.
Quem sabe esse mesmo povo passe a não querer viver de assistencialismo e clientelismo e com a mesma força de trabalho que tem, reclame seus direitos e transforme o potencial de progresso e geração de riqueza do país em um lugar melhor para viverem.

 

Este artigo é de responsabilidade exclusiva do seu autor, não representando necessariamente a opinião do portal.

 

Comentários

Texto interessantíssimo! Reflete uma forma de analisar que não fica presa em estigmas e nem em fronteiras nacionais!

Circe - 23/04/2011 22h56

Gerson, adorei!!! Penso que toda crítica (ou mesmo comentários) deve estar embasada em argumentos reais e não de senso comum. É muito fácil falar "no nordeste o pessoal não trabalha", se não conhecemos a realidade destes sujeitos que, por vezes, "matam um leão por dia" para manter suas necessidades mínimas de sobrevivência. Precisamos refletir....

Mariléia Goin - 24/03/2011 16h18

Gostei da tua coluna, Gerson... como todos os outros textos que escreves. Abraço, colega!

maria - 23/03/2011 23h04

 

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