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12/10/2011 23h12 - Atualizado em 12/10/2011 23h13

Livreiro! Diga ao povo que fico!

Sidinei Cruz Sobrinho Sidinei Cruz Sobrinho
Diretor de ensino e professor efetivo do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus Santa Rosa; Graduação em Direito – FAPLAN (2009); Mestrado em Filosofia – PUCRS (2004); Especialização em Direitos Humanos - CESUSC (2002); Graduação em Filosofia - URI (2001); Curso Seminarístico em Filosofia – IFIBE (2001).

Abram alas, rufem os tambores, toquem os sinos da catedral, interrompam o trânsito... Eles resistiram às mais duras batalhas, eles inspiraram as revoluções, do poeta ao cientista, da criança ao idoso, todos tão iguais e tão livres quanto diferentes, neste encontro da paz. Livros! Trazei-os à mão cheia e terás tua dignidade preservada.
Como não fazer uma festa, falar de política e profecias, de políticos e profetas, se tudo envolve e tudo contempla do real ao virtual, do comum ao anormal, tudo bem ali na praça.
Todo o trabalhador tem direito à férias. Férias é tempo de sair da rotina, de deixar o lar e de partir com apenas aquilo que se é, na mais pura essência e inocência, deixando-se levar pelo desconhecido, pelo diferente. Isso é tão gostoso, produz rejuvenescimento de forma tal que dá vontade de tirar férias no mínimo seis meses ao ano.
Os livros também têm seu tempo de férias. Aquela época em que eles saem das livrarias onde via de regra recebem a visita de apenas alguns amigos. Eles se deixam levar até a praça. Ali, as pessoas que se apresentam a eles ou que a eles são apresentadas, os conhecem e conhecendo-os, permitem conhecer-se a si mesmas. É o momento da catarse, da transformação, do crescimento, da (re)significação de sentidos, da compreensão do mundo e do impulso à ação social justa e tão necessária nos dias de hoje.
Ler é um ato que muitos já realizam, embora muitíssimos outros ainda precisem aprender. O problema maior está numa outra ação: interpretar. Ela é ainda mais difícil do que a primeira, afinal, além da baixa frequência, aos livros somam-se as precárias condições de ensino. Não é demais lembrar que ler e interpretar o que se lê (como interpretação do mundo) constituem-se em elementos basilares dos direitos que tornam os humanos mais humanos.
Talvez, nesta temporada de férias, alguém encontre algum livro e nele se encontre, possibilitando o início de uma mudança. Não precisa revolucionar o mundo, basta pensar um pouquinho e conversar com um amigo ou mesmo um desconhecido. Não há preconceitos no mundo dos livros - exceto aqueles que insistimos em reproduzir neles e fora deles. Por eles e com eles a sabedoria pode ganhar, de pensamento em pensamento, de obra em obra, o mundo inteiro.
Voltemos à festa, há mais conhecimento a ser conquistado. Aproveitemos estes livreiros que trazem os livros, heróis que resistiram ao tempo e à exclusão, e teimam em dizer, parafraseando o monarca: “Se for para o bem de todos diga ao povo que fico”.
Que os livros fiquem de férias durante seis meses, passeando de mão em mão. Que fiquem, no seu rastro, a interpretação do mundo e a sabedoria da ação social, essa essência dos livros gravada em nossa própria essência. Com eles, e além deles, poderemos dar passos para que possamos, no ser do dia-a-dia, resgatar e preservar a dignidade humana.

 

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